domingo, 18 de março de 2012

5 - O MELHOR REMÉDIO



                              




                                                                                                                            por “M”

Eram todos irmãos mas só pela parte da mãe. Cada um tinha um pai diferente. Um tigrado cinzento e douradinho de olhos verdes, outro todo preto como a mãe, outro loiro de olhos azuis, outro tricolor branco preto e amarelo, ou melhor outra porque os tricolores são sempre fêmeas e por último a tartaruga de olhos amarelos.
Ninguém os viu nascer porque a astuta mamã fez o ninho num sítio bem escondido lá no fundo do quintal. Escaparam todos e com sete semanas de vida lá começaram eles a aparecer, todos alinhadinhos atrás da dedicada mamã. Foi assim que se deram a conhecer na entrada da cozinha do tio Luís.O tio Luís nunca tinha visto a mãe gata pelas redondezas e ficou muito danado pela ousadia de vir ter os bichanos no seu quintal.
Ora esta, o que me está a acontecer! Andou assim todo o dia a pensar no que havia de fazer para se livrar de tanta bicharada. Deitou-se a pensar no assunto mas não lhe vinha nenhuma ideia à cabeça já cansada de tantos problemas.
Na manhã seguinte lá estavam eles todos de roda da gata mãe a aprender as coisas da vida.
O tio Zé até se levantou mais cedo e veio tomar o pequeno-almoço noquintal. Observou os bichanos e para sua grande surpresa, a mãe gata era uma doçura. Veio ter com ele e como que a pedir cama e comida para a sua prol, roçou nas pernas do tio Luís e fez o miau mais ternurento que sabia.
O tio Luís olhava para os bichanos e começou a ver que por acaso até eram todos muito bonitos. A dada altura, começou a ouvir uma vozinha a chamar, Luís, Luís. Olhou ao redor e viu a Mafalda a espreitar no muro. O tio Luís aproximou-se e deu a novidade à Mafalda, que já não era bem novidade, porque ela já tinha percebido que andavam gatos por ali. Os olhos da Mafalda brilhavam de tão contente que estava. A Mafalda passou a visitar o Luís todos os dias só para ver os gatinhos. Poucas semanas depois, e quando menos esperava, o Luís já estava rendido ao encanto das brincadeiras e travessuras daqueles pequenotes que até já tentavam trepar às arvores e brincavam com tudo o que mexia.
Começou a sair mais de casa e a sentar-se no quintal. Pela primeira vez,depois da recente morte da sua querida companheira, se sentia feliz. Esperava ansioso pela hora da vinda da Mafalda do infantário para lhe abrir o portão para a visita diária. Ele sabia que ela só vinha pelos gatos mas tinha ganho uma amiguinha.
O coração do tio Luís andava mais contente porque nunca tinha tido nenhum bicho em casa, nem bicho peludo nem bicho com penas, porque a falecida nunca deixou. Com muito carinho e algum sacrifício lá comprou um ninho de gato e deixou a sua nova família dormir dentro da cozinha.

Quando foi à consulta o médico ficou admirado com as melhoras do tio Luís que já não andava tão tristonho e deprimido.

Moral da história: Mais vale dar de comer a gato do que gastar nos remédios da farmácia.