por
“M”
Eram todos irmãos mas
só pela parte da mãe. Cada um tinha um pai diferente. Um tigrado
cinzento e douradinho de olhos verdes, outro todo preto como a mãe,
outro loiro de olhos azuis, outro tricolor branco preto e amarelo, ou
melhor outra porque os tricolores são sempre fêmeas e por último a
tartaruga de olhos amarelos.
Ninguém os viu nascer
porque a astuta mamã fez o ninho num sítio bem escondido lá no
fundo do quintal. Escaparam todos e com sete semanas de vida lá
começaram eles a aparecer, todos alinhadinhos atrás da dedicada
mamã. Foi assim que se deram a conhecer na entrada da cozinha do tio
Luís.O tio Luís nunca tinha visto a mãe gata pelas redondezas e
ficou muito danado pela ousadia de vir ter os bichanos no seu
quintal.
Ora esta, o que me está
a acontecer! Andou assim todo o dia a pensar no que havia de fazer para
se livrar de tanta bicharada. Deitou-se a pensar no assunto mas não
lhe vinha nenhuma ideia à cabeça já cansada de tantos problemas.
Na manhã seguinte lá
estavam eles todos de roda da gata mãe a aprender as coisas da vida.
O tio Zé até se
levantou mais cedo e veio tomar o pequeno-almoço noquintal. Observou
os bichanos e para sua grande surpresa, a mãe gata era uma doçura.
Veio ter com ele e como que a pedir cama e comida para a sua prol,
roçou nas pernas do tio Luís e fez o miau mais ternurento que
sabia.
O tio Luís olhava para
os bichanos e começou a ver que por acaso até eram todos muito
bonitos. A dada altura, começou a ouvir uma vozinha a chamar, Luís,
Luís. Olhou ao redor e viu a Mafalda a espreitar no muro. O tio Luís
aproximou-se e deu a novidade à Mafalda, que já não era bem
novidade, porque ela já tinha percebido que andavam gatos por ali.
Os olhos da Mafalda brilhavam de tão contente que estava. A Mafalda
passou a visitar o Luís todos os dias só para ver os gatinhos.
Poucas semanas depois, e quando menos esperava, o Luís já estava
rendido ao encanto das brincadeiras e travessuras daqueles pequenotes
que até já tentavam trepar às arvores e brincavam com tudo o que
mexia.
Começou a sair mais de
casa e a sentar-se no quintal. Pela primeira vez,depois da recente
morte da sua querida companheira, se sentia feliz. Esperava ansioso
pela hora da vinda da Mafalda do infantário para lhe abrir o portão
para a visita diária. Ele sabia que ela só vinha pelos gatos mas
tinha ganho uma amiguinha.
O coração do tio Luís
andava mais contente porque nunca tinha tido nenhum bicho em casa, nem
bicho peludo nem bicho com penas, porque a falecida nunca deixou. Com
muito carinho e algum sacrifício lá comprou um ninho de
gato e deixou a sua nova família dormir dentro da cozinha.
Quando foi à consulta
o médico ficou admirado com as melhoras do tio Luís que já não
andava tão tristonho e deprimido.
Moral da
história: Mais vale dar de comer a gato do que gastar nos remédios
da farmácia.



